Polícia Civil concluiu o inquérito e apontou homicídio qualificado; suspeito está preso preventivamente e poderá passar por avaliação psiquiátrica

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, nessa terça-feira (29), o inquérito que apura a morte do mecânico Carlos Alberto dos Santos, conhecido como Gaiola, de 61 anos, assassinado a tiros no último dia 14 no Condomínio Saraiva, em Betim. O principal investigado, Guilherme Augusto Rodrigues Martins, terceiro-sargento reformado da Marinha, foi indiciado por homicídio qualificado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
A mãe dele, Joselí Rodrigues Nascimento, de 54 anos, também foi indiciada, acusada de omissão. Segundo a Polícia Civil, a investigação reuniu depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança e perícias que ajudaram a reconstruir a dinâmica do crime.
De acordo com a corporação, Gaiola foi atingido por ao menos quatro disparos efetuados com um revólver calibre .22 em frente à própria residência. A arma e as munições utilizadas foram apreendidas durante as diligências.
O militar reformado foi preso em flagrante no dia do crime e, após audiência de custódia realizada no dia seguinte, teve a prisão convertida em preventiva.
Internação provisória foi solicitada
Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil representou pela internação provisória do investigado, com base em laudo que aponta diagnóstico de esquizofrenia e no histórico de envolvimento em outros dois homicídios. Segundo os investigadores, a medida foi requerida para garantir a ordem pública enquanto o caso tramita na Justiça.
O inquérito já foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise das providências cabíveis.
Histórico de interdição e outro homicídio
Guilherme Augusto Rodrigues Martins havia sido declarado judicialmente incapaz em 2021, após ação movida por sua própria mãe em razão de um diagnóstico de esquizofrenia paranoide.
Anos antes, ele já havia sido considerado inimputável pela Justiça depois de matar um pastor com golpes de espada dentro de um ônibus no Distrito Federal, caso que voltou a ser citado durante a investigação da morte de Gaiola.
Transferência para presídio da Marinha no Rio de Janeiro
Como Minas Gerais não possui instalação adequada para custódia de militares da Marinha, o juiz Leonardo Cohen Prado autorizou a transferência do suspeito para o presídio da Marinha na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, onde ele permanece detido.
Defesa pede incidente de insanidade mental
A defesa do militar solicitou a instauração de um incidente de insanidade mental, alegando que o investigado possui diagnóstico de esquizofrenia e síndrome de burnout, além de fazer uso contínuo de medicação antipsicótica.
O pedido foi aceito pelo juiz, com concordância do Ministério Público, para que seja realizada perícia destinada a avaliar se o suspeito tinha capacidade de discernimento no momento do crime.
O caso causou forte repercussão em Betim, principalmente pela violência da execução e pelo histórico psiquiátrico e criminal atribuído ao investigado. A partir de agora, caberá ao Ministério Público decidir sobre eventual denúncia criminal com base nas conclusões do inquérito policial.







