Onze prefeitos mineiros renunciaram ao cargo para disputar as eleições de 2026, após o encerramento dos prazos de desincompatibilização e filiação partidária, finalizados em 4 de abril.
Levantamento publicado por O TEMPO aponta que as mudanças atingiram 11 dos 853 municípios de Minas Gerais. Com as renúncias, os vice-prefeitos assumiram o comando das administrações municipais.
A desincompatibilização é a exigência legal de afastamento de determinadas funções públicas para quem pretende concorrer a cargos eletivos. Neste ano, a disputa eleitoral definirá presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais e governadores.
Dos 11 prefeitos que deixaram o cargo, oito já têm pré-candidatura definida para o Legislativo: quatro pretendem disputar vaga de deputado estadual e quatro buscam uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Também há uma pré-candidatura ao Senado, da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Outros dois nomes ainda aparecem com destino eleitoral indefinido: Luís Eduardo Falcão, de Patos de Minas, e Gleidson Azevedo, de Divinópolis.
Mudanças nas prefeituras mineiras
| Cidade | Quem saiu | Quem assumiu |
|---|---|---|
| Buritizeiro | Pedro Braga (Solidariedade) | Marcelo Osório (Avante) |
| Capitólio | Cristiano Gerardão (PL) | Jaime Leonel (Novo) |
| Contagem | Marília Campos (PT) | Ricardo Faria (PSD) |
| Coromandel | Fernando Breno (PRD) | Nerso Chihara (Republicanos) |
| Curvelo | Luiz Paulo (PSB) | Gustavo Nascimento (Avante) |
| Divinópolis | Gleidson Azevedo (Republicanos) | Janete Aparecida (Avante) |
| Jaguaraçu | Marcio Lima (PRD) | Marco Masseno (PL) |
| Paracatu | Igor Santos (PL) | Pedro Adjuto (PSD) |
| Passos | Diego Oliveira (PSD) | Maurício Silva (PSD) |
| Patos de Minas | Luís Eduardo Falcão (Republicanos) | Sandra Gomes (PL) |
| Taiobeiras | Denerval Germano (PL) | Danilo Mendes (União) |
Com as mudanças, Avante e PSD foram os partidos que mais ganharam prefeituras, com três novas administrações municipais cada. Já PL, PRD e Republicanos perderam o controle de dois municípios cada.
Disputa por vagas nas eleições de 2026
Entre os ex-prefeitos que pretendem concorrer a deputado estadual estão Diego Oliveira (PSD), Fernando Breno (PRD), Luiz Paulo (PSB) e Marcio Lima (PRD).
Para deputado federal, aparecem Cristiano Gerardão (PL), Denerval Germano (PL), Igor Santos (PL) e Pedro Braga (Solidariedade).
A ex-prefeita Marília Campos (PT) é apontada como pré-candidata ao Senado. Já Luís Eduardo Falcão e Gleidson Azevedo, ambos no Republicanos, ainda não definiram oficialmente o caminho eleitoral, segundo o levantamento.
| Cargo pretendido | Nomes |
|---|---|
| Deputado estadual | Diego Oliveira (PSD), Fernando Breno (PRD), Luiz Paulo (PSB), Marcio Lima (PRD) |
| Deputado federal | Cristiano Gerardão (PL), Denerval Germano (PL), Igor Santos (PL), Pedro Braga (Solidariedade) |
| Senado | Marília Campos (PT) |
| Indefinido | Luís Eduardo Falcão (Republicanos), Gleidson Azevedo (Republicanos) |
Trocas partidárias também marcaram o período
Além das renúncias, o período também foi marcado por mudanças de partido entre prefeitos mineiros. Ao todo, 11 chefes do Executivo municipal trocaram de legenda dentro do prazo previsto em lei.
Entre os nomes citados estão Denerval Germano, que saiu do PSDB e foi para o PL; Diego do Cartório, que deixou o Solidariedade e foi para o PL; Gleidson Azevedo, que saiu do Novo e foi para o Republicanos; e Igor Santos, que deixou o União e foi para o PL.
Também trocaram de legenda Luciano Madureira, Luís Eduardo Falcão, Luiz Paulo, Marcio Lima, Maycon Willian, Pedro Braga e Zé Wilson.
| Indicador | Partido(s) | Resultado |
|---|---|---|
| Partidos que mais ganharam prefeituras | Avante e PSD | 3 novas prefeituras cada |
| Partidos que mais perderam prefeituras | PL, PRD e Republicanos | 2 municípios cada |
| Partido que mais ganhou filiados | PL | 3 novos prefeitos filiados |
| Partido que mais perdeu filiados | PSDB | 3 prefeitos desfiliados |
Cálculo político envolve influência e recursos
A saída de uma prefeitura para disputar vaga no Legislativo envolve diferentes fatores políticos. Segundo o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em ciência política pela Universidade de Campinas, um dos pontos considerados é a mudança de papel na relação com os recursos públicos.
De acordo com ele, o prefeito que antes solicitava recursos pode passar, como parlamentar, a direcionar verbas para municípios. O cálculo também envolve ampliação de influência regional, manutenção de exposição política e composição de acordos locais.
No caso de deputados estaduais de Minas Gerais, cada parlamentar tem direito a R$ 26 milhões em emendas impositivas. No plano federal, cada deputado pode definir a destinação de R$ 37,9 milhões, enquanto senadores dispõem de R$ 69,6 milhões.
O movimento também pode fortalecer arranjos políticos locais, já que os vice-prefeitos que assumem costumam ser aliados dos titulares que deixam o cargo. Em alguns casos, a troca permite dar visibilidade a uma nova liderança e manter o grupo político no comando do município durante o período eleitoral.






