Grupo parlamentar investiga o destino de quase R$ 4 milhões em emendas para entidade fantasma; depoimentos começam em junho

Nesta quinta-feira (28), a comissão especial criada pela Câmara Municipal de Betim para apurar possíveis irregularidades na aplicação de fundos públicos tomou uma decisão importante. O colegiado começou a enviar notificações e convocações para as oitivas, que investigarão como quase R$ 4 milhões em emendas parlamentares foram direcionados à instituição social Revisa. O presidente da comissão, vereador Alexandre da Paz (MDB), confirmou a informação com exclusividade.
Na manhã de hoje, os trabalhos do grupo progrediram com a abertura e a avaliação inicial dos documentos fornecidos tanto pela entidade quanto pelo governo municipal. A fim de assegurar a proteção legal das investigações, a diretoria jurídica do Legislativo está acompanhando de perto todo o processo de triagem dos documentos. Uma nova reunião técnica está marcada para a próxima terça-feira (2), à tarde, quando os vereadores esperam concluir a auditoria dos primeiros documentos.
Cronograma e Alvos da Investigação
Conforme o plano de trabalho definido, espera-se que a etapa de depoimentos presenciais no plenário tenha início oficial no dia 8 de junho. “Hoje, vamos informar tanto a prefeitura quanto a entidade.” “Nosso objetivo é ouvir três convocados por semana”, disse Alexandre da Paz. Apesar de o colegiado manter sigilo sobre a lista oficial, os bastidores políticos sugerem que os primeiros convocados devem ser os diretores da Revisa e os técnicos da prefeitura.
Solange Aparecida Silveira, procuradora da instituição social, é um dos nomes mais esperados para prestar esclarecimentos. Ela ocupava um cargo comissionado na Diretoria de Farmácia Viva, ligada à Secretaria Municipal de Saúde, porém foi exonerada, conforme publicação do Órgão Oficial do Município na quarta-feira (27), com efeito retroativo ao dia 18 de maio. Funcionários e administradores da Secretaria Adjunta de Convênios também estão entre os primeiros a serem chamados.
Entenda o Caso
A comissão especial foi estabelecida em 18 de maio, após a revelação de que a Revisa, registrada no bairro Brasileia, foi a destinatária de uma quantia significativa de quase R$ 4 milhões, conforme previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, por meio de emendas impositivas e de bancada. A suspeita de irregularidade surgiu quando fiscais municipais foram ao endereço oficial da entidade e não encontraram o número registrado. Os vizinhos afirmaram que nunca ouviram falar da instituição na área.
Para demonstrar sua eficácia e prestação de serviços, a Revisa precisou fornecer planos de trabalho dos últimos dois anos, comprovantes de consultorias, atas e procurações. Além de Alexandre da Paz como presidente, o grupo de investigação inclui o relator Ivanildo Petrovale (Cidadania) e os vereadores Claudinho (PSB), Dudu Braga (PV) e Ricardo Lana (PP). Além disso, o caso está sendo tratado em sigilo na 4ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais.






