Prefeitura afirma que causa da morte ainda está sob investigação e aguarda resultado de exame realizado pela Funed.

Um médico voluntário que acompanha a comunidade indígena Warao, instalada na ocupação Terra Mãe, na região do PTB, em Betim, questiona as circunstâncias da morte de um indígena de 75 anos, ocorrida no último dia 30 de junho, no Hospital Público Regional. Segundo ele, o óbito pode ter relação com um surto de varicela (catapora) registrado entre os moradores da comunidade.
De acordo com o médico Cícero Augusto, o idoso apresentava lesões na pele e na boca compatíveis com a doença antes de ser internado. Segundo ele, durante a internação o quadro evoluiu para sepse e abdome agudo, exigindo cirurgia de emergência. O profissional afirma que também recebeu relatos de familiares informando que o paciente possuía diversas lesões pelo corpo, semelhantes às observadas em outros indígenas que apresentaram sintomas da doença.
Ainda conforme o médico, os primeiros casos suspeitos de varicela na comunidade teriam sido identificados no início de junho. Após a notificação, a Prefeitura de Betim iniciou uma vacinação de bloqueio entre parte dos moradores da ocupação.
O médico afirma ainda que a esposa e uma filha do indígena passaram a apresentar lesões compatíveis com varicela um dia após a morte dele, o que, em sua avaliação, pode indicar que a transmissão da doença continua ativa na comunidade.
Em documento que pretende encaminhar ao Ministério Público, à Secretaria Municipal de Saúde, à Vigilância Epidemiológica e ao Conselho Regional de Medicina, Cícero solicita uma investigação detalhada sobre o caso e ressalta que apenas os exames laboratoriais poderão confirmar se a varicela teve participação direta ou indireta no agravamento do quadro clínico do paciente.
Procurada, a Prefeitura de Betim informou que a Declaração de Óbito registra como causas da morte insuficiência renal, peritonite e choque séptico. No entanto, o município esclareceu que o caso está sendo analisado pelo Comitê de Mortalidade e que a possível relação com a varicela somente poderá ser confirmada após a conclusão da investigação epidemiológica.
Segundo a administração municipal, o exame específico para confirmação da doença foi coletado no dia 30 de junho e permanece em análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed). O município informou ainda que o idoso, sua esposa e uma filha foram notificados como casos suspeitos de varicela.
Atualmente, sete indígenas Warao permanecem internados na rede pública de saúde de Betim. Três estão no Hospital Regional, sendo um na clínica médica e dois na pediatria. Outros quatro pacientes estão no Centro Materno-Infantil, entre eles duas puérperas acompanhadas de seus recém-nascidos.
Desde o início de junho, a Prefeitura mantém em vigor um decreto de situação de emergência na comunidade Warao, permitindo a adoção de medidas excepcionais nas áreas de saúde, assistência social, educação, habitação e segurança alimentar. Entre as ações já executadas estão vacinação, atendimento médico, distribuição de alimentos, instalação de banheiros, bebedouros, postes de energia elétrica e criação de um comitê responsável por acompanhar a situação da comunidade.
Enquanto a investigação não é concluída, a prefeitura afirma que continua monitorando os casos suspeitos de varicela e adotando medidas para conter a disseminação da doença entre os indígenas que vivem na ocupação Terra Mãe.






