O Betinense – Seu portal de notícias

Sem prorrogação, CPI do Crime Organizado chega ao fim com 90 depoimentos pendentes

13/04/2026

20:31

João Victor

Sem prorrogação, CPI do Crime Organizado encerra trabalhos com 90 depoimentos pendentes
Com o “freio de mão” puxado pela presidência do Senado, colegiado chega ao fim nesta terça-feira. Relator Alessandro Vieira critica Alcolumbre e fala em “desserviço à população”. A CPI do Crime Organizado encerra suas atividades nesta terça-feira, 14 de abril, deixando uma sensação de “trabalho pela metade” nos corredores do Senado. Após quatro meses de funcionamento, o colegiado finaliza o ciclo sem conseguir ouvir mais de 90 pessoas que já estavam com depoimentos aprovados, incluindo nomes de peso como governadores, ministros do STF e especialistas em segurança pública. O balanço final é tímido: das 110 oitivas planejadas para traçar um diagnóstico do crime no Brasil, apenas 18 saíram do papel, evidenciando o abismo entre a ambição inicial da comissão e o que foi efetivamente entregue.

O grande obstáculo para a continuidade das investigações foi a decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que negou o pedido de prorrogação de 60 dias feito pela cúpula da CPI. Alcolumbre justificou o “freio de mão” alegando que o período eleitoral deste ano não é o momento ideal para manter uma comissão desse porte em funcionamento. A postura gerou revolta imediata no relator, senador Alessandro Vieira, que não poupou críticas ao colega, afirmando que o encerramento precoce representa um “grande desserviço à população”, já que interrompe apurações sensíveis sobre a estrutura das facções criminosas no país.

Durante o percurso, a comissão enfrentou dificuldades severas para furar a bolha das autoridades. Enquanto o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento recentemente, outros alvos estratégicos conseguiram escapar através de manobras jurídicas. Foi o caso do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, e do ex-governador Ibaneis Rocha, que conseguiram habeas corpus para não comparecer aos questionamentos sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Além disso, a tentativa de ouvir 11 governadores para entender o avanço da criminalidade nos estados naufragou, com apenas Jorginho Mello, de Santa Catarina, aceitando o convite.

Nesta reta final, o foco se volta para a oitiva do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e para a leitura do relatório final, que deve consolidar o que foi descoberto apesar das limitações. A grande expectativa agora é saber se as informações colhidas sobre o sistema financeiro e a segurança pública terão força para gerar desdobramentos no Ministério Público ou se as investigações vão acabar perdendo fôlego com a chegada das eleições. Para muitos observadores em Brasília, a CPI termina como um retrato da dificuldade de conciliar o tempo da justiça com as conveniências do calendário político.

Compartilhe:

Você também pode gostar:

Você também pode gostar: