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Reeleição domina ALMG e trava renovação política em Minas

13/04/2026

20:27

João Victor

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) está caminhando para um cenário que parece um “jogo de cartas marcadas”: quase 90% dos deputados estaduais decidiram que querem continuar onde estão. Para ser exato, 67 dos 77 parlamentares vão tentar a reeleição em outubro, o maior índice visto nos últimos doze anos. Tirando o presidente da Casa, Tadeu Leite, que vai assumir uma vaga no Tribunal de Contas, e meia dúzia que vai tentar a sorte em Brasília como deputado federal, o resto da turma não quer nem saber de largar o cargo.

Mas o que explica esse desejo em massa de não sair da cadeira? A resposta curta é: dinheiro e segurança. Desde que as emendas parlamentares viraram obrigatórias, os deputados ganharam um superpoder. Em 2026, cada um terá cerca de R$ 26 milhões para mandar direto para suas cidades e redutos eleitorais. Com tanto recurso na mão para fazer obra e levar melhorias para a saúde, fica muito difícil para um “novato” conseguir competir. É como se os atuais mandatos tivessem uma blindagem financeira que torna a disputa desigual para quem está tentando entrar agora.

Essa falta de renovação, que em 2022 já foi a menor em duas décadas, acende um sinal amarelo. Quando a política não se renova, a gente corre o risco de criar os chamados “feudos políticos”, onde as mesmas ideias e os mesmos grupos se perpetuam por anos a fio. O cálculo dos deputados é puramente pragmático: é muito mais seguro garantir um mandato onde o nome já é conhecido e o caixa está cheio do que arriscar um voo mais alto para o Senado ou para o Governo e acabar ficando sem nada. O famoso “fator risco” fala mais alto na hora de decidir o futuro político.

Até quem estava no banco de reservas (os suplentes) está correndo atrás para voltar ao jogo de forma definitiva. No fim das contas, o eleitor mineiro vai encontrar um tabuleiro em outubro onde quase todas as peças estão lutando bravamente para não sair do lugar. Enquanto a Constituição de 1988 sonhava com uma política que vira a página de tempos em tempos, a realidade mineira mostra um Parlamento que prefere o conforto do que já conhece, desafiando quem espera por rostos e projetos novos na política do nosso estado.

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