O Betinense – Seu portal de notícias

Tragédia humanitária: Bebê indígena da etnia Warao morre por desnutrição crônica em hospital de Betim

29/05/2026

18:21

Jorge Betinense

Criança de 1 ano e 4 meses residia na Ocupação Terra Mãe, no PTB; Prefeitura e Estado investigam o caso e anunciam comitê de crise

Paciente deu entrada no CMI na segunda (25/5) e faleceu nessa quinta (28/5)
Foto: Prefeitura de Betim

Um desastre que revela a grave fragilidade social e de saúde das populações migrantes comoveu a cidade de Betim. Uma bebê indígena de 1 ano e 4 meses da etnia venezuelana Warao faleceu no Centro Materno-Infantil (CMI) de Betim na quinta-feira (28). O óbito foi causado por um quadro clínico grave de desidratação associado à desnutrição crônica. O incidente acionou os alertas nas redes de proteção social e saúde tanto do município quanto do estado.

Segundo o governo municipal, a menina foi admitida no hospital na última segunda-feira (25) com sintomas graves. A prefeitura comunicou que, apesar da mobilização e do suporte da equipe multiprofissional da unidade, a paciente não sobreviveu e faleceu. A criança morava com seus parentes na ocupação Terra Mãe, situada no bairro PTB. A administração afirmou que a família chegou ao assentamento há aproximadamente um mês. Como se tratava de uma migração recente, a bebê ainda não tinha sido registrada nem incluída no acompanhamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) Campos Elíseos, cujas equipes realizam visitas ao local a cada quinze dias. No momento, há 244 indígenas da etnia Warao registrados no município, recebendo acompanhamento regular.

Desafios Culturais e Histórico de Mortes

Em comunicado oficial, a Secretaria Municipal de Saúde destacou que as barreiras linguísticas, as diferenças culturais e a alta rotatividade migratória dessas famílias representam grandes obstáculos para a efetivação dos cadastros assistenciais. Em decorrência do falecimento, a administração municipal declarou a formação imediata de um Comitê Intersetorial para revisar os processos de atendimento e elaborar medidas urgentes de segurança alimentar e assistência completa à comunidade indígena.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) também se pronunciou, enfatizando que a investigação epidemiológica do falecimento infantil no contexto do SUS é obrigatória. O município deve concluir essa investigação em até 120 dias, seguida de uma avaliação pelo Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal. Este não é o primeiro caso trágico na comunidade: em janeiro de 2025, um bebê Warao de 4 meses morreu na ocupação após desenvolver Síndrome Respiratória Aguda Grave. Em julho do mesmo ano, uma menina de 13 anos grávida faleceu devido a complicações no parto, em um caso classificado como estupro de vulnerável.

Compartilhe:

Você também pode gostar:

Você também pode gostar: