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Onze prefeitos mineiros renunciam para disputar as eleições de 2026

29/04/2026

08:03

João Victor

Onze prefeitos mineiros renunciaram ao cargo para disputar as eleições de 2026, após o encerramento dos prazos de desincompatibilização e filiação partidária, finalizados em 4 de abril.

Levantamento publicado por O TEMPO aponta que as mudanças atingiram 11 dos 853 municípios de Minas Gerais. Com as renúncias, os vice-prefeitos assumiram o comando das administrações municipais.

A desincompatibilização é a exigência legal de afastamento de determinadas funções públicas para quem pretende concorrer a cargos eletivos. Neste ano, a disputa eleitoral definirá presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais e governadores.

Dos 11 prefeitos que deixaram o cargo, oito já têm pré-candidatura definida para o Legislativo: quatro pretendem disputar vaga de deputado estadual e quatro buscam uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Também há uma pré-candidatura ao Senado, da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Outros dois nomes ainda aparecem com destino eleitoral indefinido: Luís Eduardo Falcão, de Patos de Minas, e Gleidson Azevedo, de Divinópolis.

Mudanças nas prefeituras mineiras

CidadeQuem saiuQuem assumiu
BuritizeiroPedro Braga (Solidariedade)Marcelo Osório (Avante)
CapitólioCristiano Gerardão (PL)Jaime Leonel (Novo)
ContagemMarília Campos (PT)Ricardo Faria (PSD)
CoromandelFernando Breno (PRD)Nerso Chihara (Republicanos)
CurveloLuiz Paulo (PSB)Gustavo Nascimento (Avante)
DivinópolisGleidson Azevedo (Republicanos)Janete Aparecida (Avante)
JaguaraçuMarcio Lima (PRD)Marco Masseno (PL)
ParacatuIgor Santos (PL)Pedro Adjuto (PSD)
PassosDiego Oliveira (PSD)Maurício Silva (PSD)
Patos de MinasLuís Eduardo Falcão (Republicanos)Sandra Gomes (PL)
TaiobeirasDenerval Germano (PL)Danilo Mendes (União)

Com as mudanças, Avante e PSD foram os partidos que mais ganharam prefeituras, com três novas administrações municipais cada. Já PL, PRD e Republicanos perderam o controle de dois municípios cada.

Disputa por vagas nas eleições de 2026

Entre os ex-prefeitos que pretendem concorrer a deputado estadual estão Diego Oliveira (PSD), Fernando Breno (PRD), Luiz Paulo (PSB) e Marcio Lima (PRD).

Para deputado federal, aparecem Cristiano Gerardão (PL), Denerval Germano (PL), Igor Santos (PL) e Pedro Braga (Solidariedade).

A ex-prefeita Marília Campos (PT) é apontada como pré-candidata ao Senado. Já Luís Eduardo Falcão e Gleidson Azevedo, ambos no Republicanos, ainda não definiram oficialmente o caminho eleitoral, segundo o levantamento.

Cargo pretendidoNomes
Deputado estadualDiego Oliveira (PSD), Fernando Breno (PRD), Luiz Paulo (PSB), Marcio Lima (PRD)
Deputado federalCristiano Gerardão (PL), Denerval Germano (PL), Igor Santos (PL), Pedro Braga (Solidariedade)
SenadoMarília Campos (PT)
IndefinidoLuís Eduardo Falcão (Republicanos), Gleidson Azevedo (Republicanos)

Trocas partidárias também marcaram o período

Além das renúncias, o período também foi marcado por mudanças de partido entre prefeitos mineiros. Ao todo, 11 chefes do Executivo municipal trocaram de legenda dentro do prazo previsto em lei.

Entre os nomes citados estão Denerval Germano, que saiu do PSDB e foi para o PL; Diego do Cartório, que deixou o Solidariedade e foi para o PL; Gleidson Azevedo, que saiu do Novo e foi para o Republicanos; e Igor Santos, que deixou o União e foi para o PL.

Também trocaram de legenda Luciano Madureira, Luís Eduardo Falcão, Luiz Paulo, Marcio Lima, Maycon Willian, Pedro Braga e Zé Wilson.

IndicadorPartido(s)Resultado
Partidos que mais ganharam prefeiturasAvante e PSD3 novas prefeituras cada
Partidos que mais perderam prefeiturasPL, PRD e Republicanos2 municípios cada
Partido que mais ganhou filiadosPL3 novos prefeitos filiados
Partido que mais perdeu filiadosPSDB3 prefeitos desfiliados

Cálculo político envolve influência e recursos

A saída de uma prefeitura para disputar vaga no Legislativo envolve diferentes fatores políticos. Segundo o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em ciência política pela Universidade de Campinas, um dos pontos considerados é a mudança de papel na relação com os recursos públicos.

De acordo com ele, o prefeito que antes solicitava recursos pode passar, como parlamentar, a direcionar verbas para municípios. O cálculo também envolve ampliação de influência regional, manutenção de exposição política e composição de acordos locais.

No caso de deputados estaduais de Minas Gerais, cada parlamentar tem direito a R$ 26 milhões em emendas impositivas. No plano federal, cada deputado pode definir a destinação de R$ 37,9 milhões, enquanto senadores dispõem de R$ 69,6 milhões.

O movimento também pode fortalecer arranjos políticos locais, já que os vice-prefeitos que assumem costumam ser aliados dos titulares que deixam o cargo. Em alguns casos, a troca permite dar visibilidade a uma nova liderança e manter o grupo político no comando do município durante o período eleitoral.

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