A briga para ver quem vai herdar o apoio da direita em 2026 já está a todo vapor, e o palco principal são as igrejas. O senador Flávio Bolsonaro está sentindo o peso de ser o herdeiro político do pai, enfrentando uma “DR” pública com lideranças evangélicas importantes. O motivo do climão é uma promessa de Jair Bolsonaro que não saiu do papel: a garantia de que um nome do setor (como Marco Feliciano ou Cezinha de Madureira) teria a vaga para o Senado em São Paulo. Como a cadeira virou objeto de disputa entre várias alas do PL, os pastores se sentiram deixados de lado, e a cobrança por “reciprocidade” veio forte.
Esse desgaste abriu uma brecha que Ronaldo Caiado e Romeu Zema não perderam tempo em aproveitar. Caiado, especialmente, tem sido muito habilidoso. Ele escalou o deputado Otoni de Paula para ser seu “embaixador” no meio religioso e já conseguiu acenos valiosos de nomes como o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira. O governador de Goiás sabe que, se Flávio continuar patinando nas promessas internas, ele pode se apresentar como o nome da direita que é mais “de palavra” e que oferece espaço real na mesa de decisões, em vez de apenas pedir votos no púlpito.
Enquanto isso, Romeu Zema corre por fora com um estilo mais discreto. Ele não faz da religião o centro do seu discurso, mas tem batido ponto em eventos de denominações influentes, como a Sara Nossa Terra, focando na ideia de “política como serviço”. É uma estratégia para o eleitor que busca valores conservadores, mas quer fugir da polarização mais barulhenta. Já Flávio tenta apagar o incêndio com a ajuda do pastor Sóstenes Cavalcante, organizando uma fila de visitas às maiores igrejas do país para tentar mostrar que o clã Bolsonaro ainda é o “dono da casa” nesse segmento.
O grande prêmio dessa disputa é um eleitorado que já soma quase 30% do Brasil e que não vota mais em bloco fechado por uma única ordem. A Igreja Universal, por exemplo, continua em silêncio, observando o tabuleiro para ver quem chega mais forte perto da eleição. Essa cautela mostra que o apoio evangélico hoje não é garantido para ninguém; ele precisa ser conquistado com negociação política de verdade, e não apenas com discurso ideológico.
No fim das contas, o que estamos vendo é uma mudança de jogo. Se antes os evangélicos eram vistos como um apoio automático do bolsonarismo, agora eles se colocam como negociadores profissionais. Quem quiser esse apoio para chegar ao Planalto vai ter que entregar mais do que fotos em templos: vai ter que entregar participação direta no poder. Para Flávio, Caiado e Zema, a lição é clara: em 2026, o caminho para o sucesso passa por cumprir acordos e respeitar a força de quem tem o microfone nas mãos todos os domingos.






